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Performance Resíduos de Alexandre D'Angeli. Foto: Jorge Etecheber.

Alexandre D’Angeli abre Setor Performance da SP-Arte com Resíduos

A performance RESÍDUOS, do artista Alexandre D’Angeli, uma das 10 obras selecionadas para a SP-Arte 2016, que acontece de 7 a 10 de abril no Pavilhão do Parque do Ibirapuera, abre o setor de performances do evento no dia 6 de abril (somente para convidados). O trabalho apresentado ano passado na cidade do Porto, em Portugal, acontece das 14 às 16 horas e volta a ser realizado no sábado, dia 9 de abril, das 16h30 às 19h30.

RESÍDUOS dá continuidade a pesquisa do artista Alexandre D’Angeli acerca das interações possíveis entre corpo e espaço e seus vestígios|memórias na busca por aproximações sensíveis com a arquitetura e seus equipamentos. Na obra, que propõe pensar os resíduos imateriais resultados da ação do homem nas grandes cidades, sobras de seus projetos, investimentos e afetos, o artista fica embaixo de 250 quilos de areia vermelha.

Para Alexandre D’Angeli, que realizou a ação pela primeira vez na cidade de São José do Rio Preto operando por meio da intervenção em espaço urbano, RESÍDUOS dialoga com os elementos físicos, simbólicos e estéticos dos lugares onde acontece e incorpora a participação dos sujeitos que habitam e transitam pela cidade, além de criar novas paisagens. A obra também integrou, em ambiente de galeria, a programação do Performance em Encontro no Sesc Campinas, evento que marcou dois anos do projeto “Performance” desenvolvido pela unidade.

Performance Resíduos de Alexandre D'Angeli. Foto: Milton Afanador.

Performance Resíduos de Alexandre D’Angeli. Foto: Milton Afanador.

250 quilos de areia vermelha

A partir dos elementos arquitetônicos que configuram o ambiente, o programa propõe que o performer busque superfícies diversas, tais como rampas, afastamentos, falhas, quinas, apoios ou fronteiras, que possam servir de suporte para acomodar-se e dar início a performance. Fazendo uso de duzentos e cinquenta quilos de areia de cor vermelha é definido um trajeto linear de aproximadamente dez metros, onde uma das extremidades demarca por meio da areia o ponto inicial da ação e segue até o local onde o artista se acomodará. Sobre ele é depositado toda a areia restante e, assim, ele permanecerá imóvel por um período de três horas. Nos próximos sessenta minutos todo o material é deslocado apenas com uso do corpo para o ponto de origem, restando apenas vestígios – memória da ação (a pedido da organização da SP-Arte a performance acontecerá durante duas horas).

RESÍDUOS propõe aproximar artista e audiência no entendimento do processo de subjetivação, do qual o corpo é ao mesmo tempo um agente produtor e um produto. Um corpo depositado sob um monte de areia, símbolo escolhido para representar nossas reiteradas tentativas diárias. “Tudo em que esperamos e que ainda jaz sepultado, como uma semente de algo precioso, pronta para germinar, mas que está depositado sob um monte de areia, infértil, que é produzida por nossas reiteradas tentativas diárias”, explica D’Angeli.

Performance Resíduos de Alexandre D'Angeli. Foto: Antonio Juárez.

Performance Resíduos de Alexandre D’Angeli. Foto: Antonio Juárez.

Sobre Alexandre D’Angeli

Alexandre D’Angeli é performer, ator e bonequeiro com graduação em Artes Cênicas. Especializou-se em Mímica Corporal Dramática e Acrobacia Teatral pela Ecole International de Mime Corporel Gestuel Dramatique de Paris, sob orientação do mestre Ivan Bacciocchi. Interessa-se especialmente pelas linguagens mais diretamente relacionadas ao corpo, e que operam no cruzamento entre a performance e o teatro. É fundador e diretor artístico do ânima Dois. Em 2015 realizou RESÍDUOS no Projeto Performance em Encontro do Sesc Campinas e no Maus Hábitos Espaço de Intervenção Artística, na cidade do Porto, em Portugal. Participou do Festival Sesc de Inverno do Rio de Janeiro e da Virada Cultural de Belo Horizonte no Sesc Palladium com Listening to the Sheep Sleeping. Integrou a exposição Terra Comunal – Marina Abramovic+MAI como facilitador do método Abramovic. Em 2014 participou do projeto ocupação “É Logo Ali” do Sesc Ipiranga com Listening to the Sheep Sleeping, performance com textos do autor e cartunista Caco Galhardo. No mesmo ano teve início a primeira etapa do projeto 436, performance de longa duração, onde propôs aos visitantes do Memorial da Resistência de São Paulo a montagem de quatrocentos e trinta e seis rostos de papel em memória aos mortos e desaparecidos políticos. Em 2010 foi responsável pelas intervenções artísticas realizadas no Terminal Rodoviário do Tietê durante a Virada Cultural, destaque para “Objetos de Valor” e “Présence Decroux”. Participou com a performance Objetos de Valor da abertura da paralela da 29ª Bienal de São Paulo promovida pelo Sesc Campinas. Criador e performer em “Molloy – O fim está no começo e no entanto continua-se”, espetáculo solo de teatro gestual inspirado no romance de Samuel Beckett, que participou da mostra “Samuel Beckett – 100 anos” organizada pelo SESC Santana e integrou a VII Mostra Cariri das Artes por meio do Palco Giratório do SESC Ceará. Em 2016 a obra 436 participa da V Bienal de Performance de Bogotá, na Colômbia e Listening to the Sheep Sleeping se apresenta no Barcelona Solo – International Festival of Solo Performance, na Espanha.

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