Home / Arte / Lu Mourelle – “Um toque, lírico e suave, como o canto de uma ave, em seus traços e cores” por Edmundo Cavalcanti

Lu Mourelle – “Um toque, lírico e suave, como o canto de uma ave, em seus traços e cores” por Edmundo Cavalcanti

Edmundo Cavalcanti é Artista Plástico, Colunista de Arte e Poeta.

Edmundo Cavalcanti é Artista Plástico, Colunista de Arte e Poeta.

Caros amigos e leitores, diferentemente das outras matérias onde entrevisto artistas descobertos pelas redes sociais ou que já conheço por seus trabalhos, com esta artista, muito talentosa por sinal, foi-me indicada por uma curadora de renome e muito respeitada no mundo das artes, Maria dos Anjos de Oliveira, minha amiga a qual solicitei ajuda.

“Os quadros trazem personagens com cabelos, maquiagem e figurinos que chamam atenção pela inovação em formas, cores e texturas. Figuras enigmáticas se misturam aos traços abstratos em uma combinação que une o jovial ao clássico. A artista, que já trabalhou no universo da moda, aproveitou toda essa bagagem para criar coleções pintadas em acrílico.” – Fabiana Conde, curadora do Radisson RED Campinas.

Obs.: Comentário colhido na internet o qual concordo plenamente:

A obra de Lu Mourelle traz elementos que remetem aos tempos de executiva do mercado de moda, época em que a pintora trabalhava com o luxo e grandes grifes internacionais. “Lu Mourelle apresenta suas ‘demoiselles’ altivas, plenas de feminilidade, intensas. Nos brinda com o que elas têm de mais sedutor: o olhar”, ressalta Lígia Testa, declarando que os quadros da artista refletem as influências das diferentes temporadas que Lu Mourelle passou na Europa.

Lu Mourelle é Artista Plástica.

Lu Mourelle é Artista Plástica.

Conheça agora um pouco mais sobre esta artista, nesta entrevista.

Onde você nasceu? E qual sua formação acadêmica?

Sou natural de Campinas, interior de São Paulo, porém passei muito pouco tempo na cidade no decorrer da vida. Retornei à região há dois anos. Durante muito tempo minhas moradias se alternaram entre Paris, Rio de Janeiro e São Paulo. Primeiro, em razão do trabalho de meus pais e, depois, por causa da minha vida profissional. Sou bacharel em Comunicação Social, com especialização em Publicidade e Propaganda; com MBA em Marketing, área em que atuei na maior parte do tempo em minha carreira corporativa, sempre relacionada ao mundo na moda.

Como e quando se dá o seu primeiro contato com as Artes?

Eu era muito novinha. Quando tinha três anos de idade, minha família se mudou para Paris e lá minha mãe frequentava cursos de Belas Artes e pintura. Por força das circunstâncias, eu a acompanhava nas aulas, ficando recolhida aos cantos das salas, sempre observando e tentando imitar o que era feito. Por hábito, frequentávamos todo e qualquer museu ou galeria que cruzasse nosso caminho. Na volta ao Brasil, minha mãe abriu uma escola de artes onde continuei tendo contato com as mais diversas formas de expressões artísticas.

Como surgiu ou você descobriu este dom?

O desenho e a pintura, pra mim, sempre foram uma diversão. Algo muito pessoal e privado. Fazia meus rabiscos para extravasar emoções, mas mantinha-os em segredo. A artista da casa era minha mãe e eu era muito tímida pra fazer um até com obras ou algo parecido. Já adulta, quando resolvi dar uma reviravolta na minha vida profissional, a arte refloresceu, invadiu e tomou conta de tudo. Estava em pleno Jardin des Tuileries, em Paris, quando decidi retratar uma das esculturas do parque. Ali, naquele momento, decidi que abraçaria as artes como nova profissão.

Quais são suas principais influências?

É inegável que o mundo da moda se faz presente em muitas de minhas obras. Nunca fui estilista, nem tive esta pretensão, mas várias vezes vejo algo como croquis nos meus figurativos. Apesar de muitos deles se fundirem com o abstrato, é uma percepção que fica evidente.

Quais os materiais que você utiliza em suas obras?

Comecei com um mix de materiais, pois gostava do efeito da mistura do fosco do látex com as nuances do acrílico e o brilho dos esmaltes. Hoje em dia estou trabalhando mais com os acrílicos. Faço uso de muito espatulado, mas não abandono as cerdas nunca. Os meus pincéis e penas sempre estão presentes.

Como é o seu processo criativo em si? O que te inspira?

Difícil responder objetivamente, porque quase tudo é fonte de inspiração. Pessoas, sentimentos, cenas do cotidiano. Aspirações, sonhos. Mas talvez a forma mais concreta de realmente concretizar cada trabalho seja através do estudo e da pesquisa, pois para cada um desses sentimentos, dessas situações, saio buscando exemplos de imagens. Faço esboços. Um, dois, dez, até chegar onde imagino ser aquilo que realmente quero retratar. Aí começa a brincadeira… Tintas, tintas, camadas e mais camadas. É pura experimentação e prazer.

Quando você começou efetivamente a produzir ou criar suas obras?

Profissionalmente em 2015, mas antes disso já tinha participado de mostras coletivas no exterior. Houve períodos em que morei por alguns países da Europa a trabalho e, nas horas vagas, fazia alguns cursos livres de pintura. Por conta deles surgiram exposições em Saint Remi de Provence e em Viena, mas naquela época achava tudo um grande barato. Era pura diversão. Nem sonhava em me profissionalizar. Era o chamado “estar no lugar certo na hora exata”. Tudo acontecia naturalmente. Hoje, olho pra trás e penso: “que sorte e que privilégio o meu!”.

A arte é uma produção intelectual primorosa, onde as emoções estão inseridas no contexto da criação, porém na história da arte, vemos que muitos artistas são derivados de outros, seguindo técnicas e movimentos artísticos através do tempo, você possui algum modelo ou influência de algum artista? Quem seria?

Há várias personalidades que me influenciam. Depende muito do meu momento de vida e do que estou estudando. Logo quando comecei, o catalão Manolo Valdés era quem mais me instigava com seu colorido e formas geométricas no figurativo. Também apreciava o estilo distinto e difuso de Felice Sharp, a grandiosidade das obras de Bobbie Burgers, as ilustrações de Ekaterina Koroleva e a simbiose perfeita das cores de Peter Pharoah. Atualmente, por exemplo, estou apaixonada por aquarelas, apesar de pouco pintá-las (ainda). Por conta disso, estou encantada com as obras de Françoise de Felice e de um artista de Campinas, Dimaz Restivo. Todos com trabalhos sensacionais. Difícil citar nomes, são tantos… Amo Yofukuro, Oswaldo Guayasamín, Nadiia Cherkasova, Anna Bocek, Egon Schiele… São muitos… Faltam vários. Ia ficar até amanhã aqui citando artistas que admiro e que entram de alguma forma em minhas obras.

O que a arte representa para você? Se você fosse resumir em poucas palavras o significado das Artes na sua vida…

Renascimento. Redescoberta. Redefinição. Reinvenção.

A arte trouxe à tona uma Lu Mourelle aprimorada, diferente, consciente. A arte me imbuiu de força, energia, alimento e combustível para um novo tempo. E este tempo é agora. Voilá.

Quais as técnicas que você usa para expressar suas ideias, sentimentos e percepção a cerca do mundo? (Se é através da pintura, escultura, desenho, colagem, fotografia… ou usa várias técnicas no sentido de fazer um mix de formas diferentes de arte).

Basicamente me expresso através da pintura, mas já me aventurei muito pelo ramo da fotografia, das colagens. Amo todos. E pretendo experimentar outros. Tenho planos de embarcar no universo das esculturas, mundo pelo qual sou absolutamente apaixonada. Devo confessar até que sempre foi a minha arte primeira em termos de admiração. Sou fascinada por esculturas.

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Todo artista tem seu mentor, aquela pessoa a quem você se espelhou que te incentivou e te inspirou a seguir essa carreira, indo adiante e levando seus sonhos a outros patamares de expressão, quem é essa pessoa e como ela te introduziu no mundo das artes?

Bom, a introdução primeira foi através do exemplo de minha mãe. Meu pai era ainda um consumidor voraz de diferentes produtos artísticos. Assim, a casa fervilhava arte. Meu maior incentivador, amigo e mola propulsora é meu marido, que também é um homem ligado às artes. Mais recentemente, outro amigo artista, o Adelmo Avancini, me apresentou à produtora cultural, marchand e profunda conhecedora das artes, Maria dos Anjos Oliveira. Ela não me deixa sossegada um segundo. São desafios diários na pintura, dicas, conselhos, suporte e acompanhamento profissional que até hoje não havia recebido de ninguém. Com ela, estou chegando a lugares nunca antes imaginados e nem o céu é o limite! Vamos onde nos propusermos, lutarmos e merecermos estar. Sou cercada de grandes parceiros e pessoas. Privilégio absoluto. Tenho profunda gratidão por isso.

Você tem outra atividade além da arte? Você dá aulas, palestras, etc?

Não. Hoje em dia me dedico exclusivamente à arte e ao meu desenvolvimento como artista plástica.

Suas principais exposições nacionais e internacionais e suas premiações?

  • Galerie du Pharos, Saint-Rémi Provence, França, 2014 (coletiva);
  • Volkshochschule Urania, Viena, Áustria, 2016 (coletiva);
  • Fnac – Campinas, São Paulo, out a nov 2017 (individual);
  • Radisson Red, Campinas, São Paulo, dez 2017 a jan 2018 (individual);
  • Banco do Uruguay, São Paulo, jan a mar 2018 (coletiva);
  • Espaço Paulista de Arte, São Paulo, jan a fev 2018 (coletiva);
  • Anjos Art Gallery – Rio de Janeiro, mar a abr 2018 (coletiva).

Agendadas:

  • Salão da Sociedade Nacional de Belas Artes – Lisboa, maio de 2018 (coletiva);
  • Galiart – Lisboa, maio de 2018 (coletiva);
  • Porto Art Gallery – Porto, maio de 2018 (coletiva);
  • Rabeca Cultural – Campinas , jun/jul de 2018 (individual);
  • Anjos Art Gallery – Rio de Janeiro, agosto de 2018 (individual).

Premiações:

Destaque Internacional Grupo Hoteleiro Carlson Residor – Radisson Red – Galeria Mundial sede Mineapollis, Artist of the Month – January 2018 – Link: Redisson RED

Seus planos para o futuro?

Me aprimorar cada vez mais em minha arte. Estudar. Não só levá-la aos quatro cantos do mundo como poder estar nos mais variados países e apreciar as formas de expressão com todas as suas diversidades e belezas.

Em sua opinião qual é o futuro da arte brasileira e dos seus artistas? (no contexto geral) e porque tantos artistas estão dando preferência em mostrar seus trabalhos em exposições internacionais apesar dos altos custos?

Infelizmente, vivemos uma época conturbada, economicamente falando. Isto afeta diretamente vários setores e não é diferente com o das artes. Em época de cortes, a cultura sofre o peso da foice, principalmente por não ter no povo brasileiro o hábito arraigado de seu consumo na forma mais ampla dessa concepção. Somos um povo muito pobre neste sentido. Me parece óbvio o artista buscar investir seu tempo e dinheiro em lugares onde o retorno tanto artístico quanto econômico é mais provável. Países onde a população está mais habituada a consumir arte merece então nossa atenção, pois também precisamos sobreviver. Pela fato de a arte ser muito prazerosa (apesar da dor inerente de seu processo criativo), as pessoas de forma geral, esquecem que o artista tem contas para pagar e julgam mal estas participações. É puramente uma conta matemática. Probabilidades. Para nossa tristeza, acredito que cada vez mais os artistas nacionais estarão migrando com seus trabalhos por puro instinto de sobrevivência. Muito precisa ser feito para este cenário mudar e isso começa na educação de base. Não acredito ser logo, pelo contrário. É bom lembrar que as disciplinas artísticas estão caindo da grade curricular do ensino básico brasileiro.

Tenho percebido que algumas galerias tradicionais estão encerrando as atividades. Os artistas estão dando preferência para expor em Espaços Culturais. Em sua opinião qual seria a causa?

Custos, na grande maioria das vezes. As galerias cobram alto por exposições de artistas, coletivas ou individuais. As vendas também não são garantidas. Já os espaços culturais abrem editais para ocupação, não cobram pelo uso e muitas vezes oferecem prêmios para obras participantes, etc, e tal. Mais uma vez voltamos a falar de situação econômica. É preciso trabalho e dedicação para manter a roda das artes girando.

Facebook: Lu Mourelle

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