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Fig. 4 – Desenho pronto, Ponte em Santiago, Rosângela Vig.

Desenho – Produção Artística, Passo a passo 12 de como desenhar por Rosângela Vig

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Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

Ponte em Santiago

Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai
Sem caminho marcado.
Tu és o dono de todos os caminhos
Sê apenas uma presença
Invisível presença silenciosa
Todas as coisas esperam a luz
Sem dizerem que a esperam
Sem saberem que existe
Todas as coisas esperarão por ti
Sem te falarem
Sem lhes falares.
(MEIRELES, 1995, XXIII)

Passo a passo 12 de como desenhar

Ainda que nossos caminhos sejam as ruas repletas de multidões solitárias de grandes metrópoles, ou os aconchegantes refúgios mundo afora, é esse nosso caminho. Para abrandá-lo, basta que por ele trafegue a poesia. Pode ser que ela não surja em versos, mas em cores, em formas, em sabores. Permita-se levar por seu próprio caminho, caminhe sobre ele, por entre as pedras onde pisa, por entre as flores que o adornam, saboreie as nuvens que o amenizam do calor do sol e o siga, com a alma leve, com a mente desimpedida, sempre em frente. Talvez a melhor forma de se seguir adiante, de suavizar as adversidades seja simplesmente observando o caminho, detalhadamente, a cada novo passo, percebendo seus detalhes, ouvindo seus sons e sentindo seus aromas. Tudo adquire um novo significado quando nos entregamos de corpo e alma. Se nesse itinerário a Poesia e a Arte o encontrarem, pode ser ainda melhor.

Fig. 1 – Linha do horizonte, Ponte em Santiago, Rosângela Vig.

Fig. 1 – Linha do horizonte, Ponte em Santiago, Rosângela Vig.

Foi assim que a Arte me seduziu e que a Poesia me encontrou. Reproduzir o que via, fascinava-me, mas era necessário mais que isso. Era preciso que a Poesia estivesse presente num desenho, numa tela, fosse pelo uso da cor ou por sua ausência. E o monocromático poderia acrescentar esse tom melancólico e poético, que eu tanto desejava. Na ponte (Fig. 4), o preto e o branco suavizam o olhar e levam encanto à cena.

Para esse trabalho utilizei papel de gramatura 200, tamanho A4, com textura; lápis 2B, 6B e lapiseira 0,9, para o desenho; esfuminho, para suavizar os traços do lápis; régua de 30 centímetros e esquadro, para conferir ponto de fuga e linhas horizontais e verticais.

Fig. 2 – Ponto de fuga para o lado direito, Ponte em Santiago, Rosângela Vig.

Fig. 2 – Ponto de fuga para o lado direito, Ponte em Santiago, Rosângela Vig.

Para você reproduzir esse trabalho, encontre em sua folha uma linha imaginária, horizontal, onde sua cena irá se assentar (Fig. 1). O trabalho tem dois pontos de fuga. Trace-os levemente com a lapiseira, para que sua cena se localize no papel. Faça dois riscos para a ponte. Lembre-se de que ela tem ponto de fuga para o lado direito (Fig. 2). Depois faça o mesmo para o casario, que tem ponto de fuga para o lado esquerdo da imagem (Fig. 3). É importante ressaltar que as janelas, as portas das casas, os arcos da ponte e os telhados das casas acompanham esses pontos de fuga. Acerte tudo com uma régua, para que não fiquem diferentes ou desnivelados. Com o esquadro, confira as linhas verticais das casas e dos arcos da ponte. Perceba que o telhado mais alto tem formato irregular e difere dos outros. Quando tudo estiver desenhado, inicie a pintura com o lápis 6B, auxiliado pelo esfuminho.

Comece de cima para baixo, para que suas mãos não sujem o que já foi pintado. Então pinte levemente as nuvens, deixando-as mais escuras na parte inferior e mais claras na parte superior. Para que os traços do lápis não apareçam nas nuvens, trabalhe com o esfuminho em movimentos circulares leves. Faça o mesmo com a ponte e suas pedras. Pinte os telhados, as janelas e as paredes das casas. Deixe algumas casas com as paredes em branco. Manche-as com o esfuminho, para que tenham aspecto envelhecido. As árvores, o mato e as plantas são feitas da mesma forma. Apenas faça riscos leves e soltos com a lapiseira, imitando os galhos das arvores e as folhas do mato. Finalize com o reflexo das casas e da ponte, na água, que pode ser feito com o esfuminho.

Fig. 3 – Ponto de fuga para o lado esquerdo, Ponte em Santiago, Rosângela Vig.

Fig. 3 – Ponto de fuga para o lado esquerdo, Ponte em Santiago, Rosângela Vig.

Assine seu trabalho e passeie por esse lindo lugar, pelas mãos da Arte. Deixe-se levar pelo pensamento e caminhe sobre essa ponte livremente. Sinta as pedras em sua superfície, o perfume das plantas, escute o barulho que faz a água do rio, e perceba como as nuvens amenizam o calor do dia. Pode ser que esse caminho não seja o seu. Se não for, encontre a poesia em seu próprio caminho e o transforme em uma obra de Arte.

Confira o vídeo da produção da obra Ponte de Santiago:

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Artigos sobre a História da Arte da Rosângela Vig:

Referências:

  1. MEIRELES, Cecília. Cânticos. São Paulo: Editora Moderna, 1995.

As figuras:

Fig. 1 – Linha do horizonte, Ponte em Santiago, Rosângela Vig.

Fig. 2 – Ponto de fuga para o lado direito, Ponte em Santiago, Rosângela Vig.

Fig. 3 – Ponto de fuga para o lado esquerdo, Ponte em Santiago, Rosângela Vig.

Fig. 4 – Desenho pronto, Ponte em Santiago, Rosângela Vig.

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