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Exposição 27 de Setembro de 2021, Terremoto em Creta, Museu El Greco – Grécia, por Rosângela Vig

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Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a Terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até o fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
(PESSOA, 2006 p. 67)




São incompreensíveis os desígnios da natureza. Seu Belo emana beleza e encanta o olhar; ao mesmo tempo, sua força descomunal e sua magnitude de formas assombram por tanta sublimidade. Mas as coisas nem sempre seguem um curso tranqüilo; o meio ambiente tem seus truques, desalinha suas formas, desvia-se, muda de padrões. Em sua pequenez, o ser humano é frágil; e sua força é insuficiente para impedir ou se defender das intempéries naturais que assolam o planeta. Quando a Terra revolve desorientada sua energia e sua cólera, ela leva consigo vidas, sonhos; e deixa o ser humano à mercê das mazelas. O tempo que aos poucos cura as feridas, apaga os desgostos de tamanha impetuosidade, deixa registradas apenas as memórias. Tudo se recompõe com o tempo e a vida retoma seu curso natural.

Em Setembro de 2021 tais intempéries naturais assolaram Creta, a maior ilha da Grécia, deixando um rastro de destruição. A natureza deixou à mostra sua fúria e seu poder diante da fragilidade humana. Entretanto a resiliência, a perseverança e o espírito colaborativo permitiram que aos poucos a população se refizesse dessa grande tragédia, permitindo que se tornasse apenas um registro. Coube à Arte a tarefa de expurgar os sentimentos por meio da Fotografia e da Pintura, na forma de catarse. O Museu El Greco, na cidade de Fodele, na Grécia abriu seu espaço para que as impressões desse momento tão doloroso fossem entalhadas.




A grande artista Magdalena Wozniak Melissourgaki (Grécia), embaixadora da Grécia, para a Academia de Arte Mondial, assumiu a curadoria de mais esse evento no museu, com a proposta de deixar evidentes não só o Belo da Arte, mas também as situações naturais que afligiram o país e que tanto assombram o mundo. Sensibilizada com a tragédia que assolou várias cidades da Grécia, em especial Heraklion, a curadora afirma que o evento que destruiu mais de 7.000 casas deixou uma ferida aberta na sociedade e modificou sua abordagem de vida. A própria curadora estava em sua casa no momento da tragédia e afirma que o primeiro pensamento que lhe ocorreu foi o de sair imediatamente de onde estava. A partir daí, Magdalena passou a refletir profundamente a respeito dos reais valores da vida; sobre o quanto o trabalho e as coisas materiais nos consomem; e o quanto precisamos mudar esse pensamento para valorizar o que realmente importa: a família, os amigos e nós mesmos.

A curadora, artista da exposição não ficou indiferente a tal infortúnio e verteu o momento, expondo a dor e a destruição por meio da mostra. Muitos desses registros do terremoto estão à mostra no museu El Greco, junto a interpretações da artista, por meio da Arte. A mostra ainda seguirá para o município de Arkalochori, próximo a Heraklion; e depois para Varsóvia na Polônia. 

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Abertura Oficial: 15 de Agosto de 2022 às 8 da manhã.

Período da Exibição: 15 a 31 de Agosto de 2022.

Referências:

  1. PESSOA, Fernando. Mensagem. Porto Alegre: Editora L&PM Pocket, 2006.

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