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Ricardo Ribenboim abre duas mostras no Rio de Janeiro

Ricardo Ribenboim presente em dois momentos singulares: o resgate do passado e a criação do novo presente!

Rastro dos Restos no Paço Imperial || O Acaso no Espaço OASIS

O artista plástico Ricardo Ribenboim exibe, em datas sequentes no circuito cultural do Rio de Janeiro, após uma ausência de 18 anos, duas exposições individuais: “Rastro dos Restos”, no Paço Imperial e “O Acaso” no Espaço OASIS. As duas mostras estão sob curadoria de Yuri Quevedo. As 120 obras inéditas em exibição, mesmo não se apresentando como recortes de um todo, oferecem dois aspectos complementares e elucidativos da produção do artista nos últimos 5 anos. Em “Rastro dos Restos”, os trabalhos dialogam com o tempo e exibe a consciência do artista sobre o curso da história, a passagem do tempo e a finitude das coisas de onde surge a possibilidade de transformação do todo em vestígios. Já em “O Acaso”, há o compartilhamento por parte do artista, de seu processo criativo onde ressignifica fragmentos de trabalhos antigos. Ricardo Ribenboim oferece a proposição de convivência com o mutável e o incerto, sem buscar frear o fluxo dos eventos e da vida, mas admirando-os como uma força estética.




“Em cada um dos espaços a produção de Ricardo Ribenboim é vista sob um aspecto diferente. No Paço Imperial, temos a investigação mais recente do artista, que parte de rastros do passado para configurar o novo. Já no Oasis, espaço de residências experimentais, estão aquelas obras onde ele compartilha conosco seu processo de trabalho e os entraves para elaborar aquilo que o rodeia.”, explica o curador.

Rastro dos Restos” – Paço Imperial

“A partir da lembrança, Ribenboim propõe a singularidade”, define Yuri Quevedo.

Coletando, aleatoriamente, restos de materiais diversos, fragmentos do ordinário, do urbano, restos do atelier, rastros de seu próprio trabalho com memórias de sua trajetória, o artista enfrenta o desafio e a necessidade de criar o novo e apresentá-lo na seleção de 80 trabalhos expostos. Enquanto muitos buscam encontrar o sentido de um todo coeso, Ricardo Ribenboim vai na contramão e faz da desarticulação o seu método; desmembra sistemas inteiros e os analisa e, sendo o artista que “encontra poesia nova naquilo que sobrou – aquilo que é substantivo no rastro dos restos”, diz o curador. O artista formula uma ecologia própria – o que restou de algo, pode servir de suporte para uma nova realidade. Aqui, a história é vista como uma trama, em que ciclos se reciclam, intercalados com lacunas de esquecimento.

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Ao construir marcos e estandartes com esses retalhos de lembranças, Ribenboim compartilha conosco sua ética: a memória pode ser matéria do presente à medida em que ela adquire significado no agora.

O Acaso” – Espaço Oasis

Nos últimos anos, Ribenboim fez do ateliê e da própria trajetória, um espaço de reflexão, onde seu potente lado criativo finaliza objetos inconclusos, reanima pedaços de trabalhos antigos e lhes dá nova forma, nova ordem, nova significância. Nas 40 obras selecionadas pelo curador, estão as grandes telas onde ‘sinistras silhuetas tentam romper as camadas’. Desta forma “o artista compartilha conosco o valor do fazer como pensamento, do fazer enquanto dúvida, do fazer como processo de configuração de si e do mundo – e não como terreno das definições e das certezas”, explica Yuri.

Em “O Acaso”, Ricardo Ribenboim nos descreve seu processo criativo, as agruras do fazer, onde resgata os vestígios guardados daquilo que as coisas eram antes de serem articuladas em novos sentidos: suas pinturas olham para suas esculturas para transformá-las em imagens.

Para Yuri Quevedo, “como no sonho, o caldo disforme do inconsciente ganha matéria em associações, coincidências e encaixes. Indefinições que resistem a ser figuradas, daí o acaso vira assunto”.

SERVIÇO

Exposição: Rastro dos Restos

Artista: Ricardo Ribenboim

Curador: Yuri Quevedo

Abertura: 12 de julho – terça-feira – das 16h às 20h

Período: de 13 de julho a 15 de agosto de 2022

Local: Paço Imperial

Endereço: Praça XV de Novembro, 48, Centro – Rio de Janeiro

Horários: de terça a domingo, das 12 às 18hs

Exposição: O Acaso

Artista: Ricardo Ribenboim

Curador: Yuri Quevedo

Abertura: 16 de julho – sábado – das 17 às 21hs.

Período: de 19 de julho a 27 de agosto de 2022

Local: Espaço Cultural OASIS

Endereço: Rua Buenos Aires, 168 – Centro – Rio de Janeiro

Horários: de terça a sábado, das 12 às 17hs.

O artista – Ricardo Ribenboim (São Paulo, 1953)

Artista plástico, designer gráfico e produtor cultural. De 1972 a 1975, estudou arquitetura na Faculdade de Arquitetura de Santos e fez especialização na Fundação Getúlio Vargas em Imagem Corporativa. Foi aluno de Yutaka Toyota, Evandro Carlos Jardim, Babinski, Luiz Paulo Baravelli, Carlos Fajardo e José Resende. Em 1974, participou da Bienal Nacional de São Paulo; em 2000, realizou uma intervenção urbana na praia de Ipanema durante a ECO-92; ainda em 2000, participou da 7a Bienal de Havana, do Open Air Veneza; em 2001, participou das comemorações dos 50 Anos da Bienal Internacional de São Paulo. Em 1993, realizou uma intervenção urbana em Porto Rico durante a inauguração do Museu do Papel de San German. Em 1999, apresentou suas obras em exposição individual a convite do Kunst Raum de Berlim e, ainda em 1999, inaugurou a exposição Troca de Pele na Galeria Nara Roesler, em São Paulo, e no ano seguinte, no Paço Imperial do Rio de Janeiro, RJ. Em 2000, realizou um projeto especial para o P.S.1 Contemporary Art Center do MoMA em Nova York. Em abril de 2003, inaugurou uma exposição individual em Nova York, na Martinez Gallery e, em julho uma outra na galeria Anna Maria Niemeyer, no Rio de Janeiro, RJ.

Destacam-se também participações em exposições como: Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, em 1984; Arte Cidade 3 em 1997; em 1998 e 1999 participou da exposição itinerante Art for the World, apresentada em Genebra, Suíça; Nova York, EUA; Nova Délhi, Índia e São Paulo, SP entre tantas outras. Realizou diversas intervenções urbanas no Brasil e no exterior, destacando-se o projeto Bólides Marinhos, na Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, durante a ECO-92, e um conjunto de intervenções no projeto Arte Cidade 3. Possui obras em diversos acervos públicos como: ArtBA, Buenos Aires, Argentina; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo e Museum of Modern Art de Miami, EUA.

Foi sua a concepção das seguintes exposições: Cotidiano/arte; Objeto anos 90, com a curadoria de Lisette Lagnado, Itaú Cultural, São Paulo, 1999; Cotidiano/arte. Objeto anos 60/90, com a curadoria de Agnaldo Farias, MAM RJ, Rio de Janeiro, 1999. Foi curador da mostra Por que Duchamp? no Paço das Artes, São Paulo, 1999; Projeto Fronteiras – intervenções, Itaú Cultural, 1998; Arte/Tecnologia, Itaú Cultural, São Paulo, 1998; Imaginário Popular, Itaú Cultural, São Paulo, 1997; Diversidade da Escultura Brasileira no Séc. XX na Av. Paulista, São Paulo, 1997; Ex-Libris Home Page, Paço das Artes, São Paulo, 1996; Excesso, Paço das Artes, São Paulo, 1996; O Papel do Papel, São Paulo, dentre outras.

Foi cocurador em 1998 da XXIV Bienal Internacional de São Paulo, do segmento de Roteiros, no módulo WEBart. Foi diretor-superintendente e vice-presidente do Conselho do Instituto Itaú Cultural de 1997 a 2002, sendo o responsável pela estruturação do corpo administrativo de cerca de 130 pessoas, constituído para atender todas as áreas de expressão. Criador dos eixos curatoriais do Programa Rumos de todas as áreas de expressão e da Enciclopédia Itaú Cultural, hospedada no site da instituição. Foi diretor do Paço das Artes de 1996 a 1997; diretor do Escritório Gema Design de 1986 a 1995; criador, fundador e diretor da Escola de Arte do clube Hebraica de 1969 a 1972; criador e fundador do Museu Brasileiro do Papel em 1990, unificando seu acervo ao MAC USP em 1993.

Participou de instituições no papel de consultor do The Museum of Fine Arts Houston para assuntos da América Latina; presidente do Conselho do Instituto Pensarte; membro dos conselhos do Instituto Arte na Escola e da Casa de Cultura de Israel; vice-presidente cultural do GIFE – Grupo de Instituições Fundações e Empresas Sem Fins Lucrativos; integrante do Conselho Nacional de Incentivo à Cultura de 1992 a 1995 e dos Conselhos Municipal e Estadual de Cultura de 1993 a 1994. Membro do Conselho do Instituto Vladimir Herzog, entre outros.

Desde 2002 é sócio-diretor da empresa Base7 Projetos Culturais, responsável pelo planejamento e concepção de projetos de exposição e museus; foi presidente do Conselho Consultivo do grupo Ink e do Instituto Arte + Ambiente. Desde 2002 é responsável pela articulação junto às instituições acolhedoras de exposições e pela concepção, planejamento, coordenação curatorial, produção executiva e da expografia de diversas exposições realizadas pela Base7 Projetos Culturais, Ritual Cultura e Entretenimento e Cia das Licenças. É especialista em Gestão de Programas Culturais, Concepção Curatorial e de Imagem Corporativa.

O curador – Yuri Quevedo

Professor das disciplinas de História da Arte no curso de Arquitetura e Urbanismo na Escola da Cidade (SP), onde também é responsável pelas eletivas de Museografia e Arquitetura e Performance. Possui mestrado na linha de pesquisa História e Teoria das Artes do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (2019). Graduou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Escola da Cidade (2014). Atua como professor, pesquisador, curador, coordenador de conteúdo e editor em projetos de exposições e livros.

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