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Título: Série Cestaria Negra. Data: 2018. Técnica: Nanquim sobre Papel de Algodão. Dimensões: 55 x 75 cm. Foto: Divulgação.

VERVE GALERIA EXIBE TRABALHO INÉDITO DE LUIZ MARTINS

“Silêncio Negro” apresenta trabalhos recentes do artista, cuja pesquisa se insere na tradição abstrata da arte afro-brasileira

A Verve Galeria exibe “Silêncio Negro”, do artista visual Luiz Martins, com curadoria de Ian Duarte Lucas. Em sua segunda individual na galeria, o artista apresenta 14 obras – pinturas, desenhos, e uma instalação – abordando temas recorrentes em sua pesquisa, ligada às suas origens e a construção de sua linguagem.

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Nascido na pequena cidade de Machacalis, interior de Minas Gerais, uma parte da família de Luiz Martins é afrodescendente, e outra pertencente à tribo indígena dos maxakali. Autodidata, teve contato com pinturas rupestres de sua região desde pequeno. Aos 17 anos, o artista se muda para São Paulo, onde passa a viver a dura realidade da periferia, “passando pelos percalços e os inúmeros mecanismos de exclusão das populações marginalizadas, esse lugar de esquecimento em que tantos acessos são negados”, como observa o curador. Vestígios dessa trajetória podem ser visualizados no silêncio das formas, nas trocas figuradas deste contínuo processo de silenciamento, resgate de uma história ainda tão presente em seu cotidiano.

O trabalho de Luiz Martins recorre a elementos gráficos, sobrepostos a páginas escritas em diversos meios – como folhas de dicionário, bíblias ou tabloides – cânones que carregam, em diferentes tempos, o discurso dominante e normativo do homem branco europeu, nos dizeres do curador: “palavras que por tantas vezes se transformam em instrumentos de violência literal e simbólica”. Os materiais, texturas e superfícies que fazem parte do universo do artista carregam todo este simbolismo.

Silêncio Negro” entra em cartaz num período em que importantes instituições, em todo mundo, buscam reparar a histórica exclusão das minorias do circuito de arte. Acerca disso, o curador acrescenta: “Nesta mostra, é colocado em xeque o lugar da arte política apenas enquanto arte figurativa, apontando o lugar da abstração como de igual importância neste debate”. Segundo o artista, “esta série levanta questões para um aspecto tido como superado na história e na arte brasileira: o negro, o periférico, o índio, que aqui se apresenta de maneira a se colocar a relação do artista com a sociedade, o objeto arte com o espaço, e ainda, como a obra se manifesta e se torna representativa desse encontro, muitas vezes atravessado pela realidade social e política do Brasil. […] Há muitas maneiras de narrar à história daqueles milhões de homens e mulheres africanos que a brutalidade do escravismo arrebatou. No caso desta nova série, o conceito vem embarcado pelo silêncio enquanto matéria”.

Para esta última série, Luiz Martins trabalha suas formas não só sobre páginas de dicionários, acrescentando sua releitura a cadernos de viagem de Debret e Rugendas, típicos registros históricos que categorizavam e atribuíam características e funções às diferentes raças. Desta forma, faz referência a processos persistentes na estruturação da sociedade, e ainda uma crítica sutil a um mercado que até hoje premia e destaca estereótipos políticos e culturais. “Antes de mais nada, é o lugar do corpo e a ancestralidade deste corpo – que neste caso nenhuma figuração poderia representar em seu todo – que interessa ao artista, contundente expressão de sua complexa e fascinante história de vida”, conclui Ian Duarte Lucas.

Como evento complementar à exposição, em uma parceria entre a Verve Galeria e a Auá, estarão expostas, neste segundo espaço, joias de autoria do artista versando sobre o mesmo tema.

Exposição: “Silêncio Negro
Artista: Luiz Martins
Curadoria: Ian Duarte Lucas
Coordenação: Allann Seabra
Abertura: 14 de fevereiro de 2019, quinta-feira, às 19h
Período: 15 de fevereiro a 23 de março de 2019
Local: Verve Galeria www.vervegaleria.com
Endereço: Rua Lisboa, 285 – Jardim Paulista, São Paulo – SP
Telefone: (11) 2737-1249
Horários: Terça a sexta-feira, das 11 às 19h / Sábado, das 11 às 17h
Número de obras: 14
Técnicas: Pintura, Desenho e Escultura
Dimensões: s/d
Preços: R$ 5.000,00 a R$ 38.500,00

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Assessoria de Imprensa
Balady Comunicação – Silvia Balady/ Zeca Florentino

Tel.: (11) 3814.3382 | 11 99117-7324 – contato@balady.com.br

Luiz Martins

Vive em São Paulo e trabalha em São Paulo e Viena, produzindo pinturas, esculturas, desenhos e gravuras. Suas principais fontes são as manifestações telúricas e ancestrais, oriundas da natureza brasileira, mostradas em diferentes suportes como a madeira, as fibras, aço e os pigmentos naturais. Possui em seu currículo inúmeras exposições individuais e coletivas, e sua obra está presente em acervos particulares em São Paulo, Campinas, Londres, Los-Angeles, Viena, Chaves, Berlim, Bratislava, e espaços públicos como: Museu Banespa/SP Fundação Bollini/Argentina, Pinacoteca de São Bernardo do Campo/SP, Latin American Post/Colômbia, Museu de Arte Contemporânea MAC/Usp, Museu Brasileiro da Escultura (MuBe), entre outros. Dividindo o tempo entre seus ateliês em São Paulo e Viena, na Austria, o artista já teve exposições individuais em Vilnius, Milão, Tokyo, Viena, Bologna e Lisboa.

Verve Galeria

A Verve é uma galeria de arte contemporânea fundada em São Paulo, em 2013. Em seus espaços, tendo à frente o artista Allann Seabra e o arquiteto Ian Duarte Lucas, transita por diversos meios e linguagens. Nascida do entusiasmo e inspiração que animam o espírito da criação artística, a Verve Galeria é abrigo para diferentes plataformas de experimentação contemporânea. A eloquência e sutileza que caracterizam seu nome também estão presentes na cuidadosa seleção de artistas e projetos expositivos. Por entender que as linguagens artísticas são processos contínuos e complementares, representa novos talentos e profissionais consagrados que transitam livremente entre a pintura, fotografia, escultura, vídeo, site in situ, site-specific, gravura e o street art. A galeria ocupa uma casa centenária, e na diversidade de seus espaços expositivos emergem possibilidades de curadoria que vão além do tradicional formato do “cubo branco”. Ao abrir-se para a rua, estabelece franco diálogo com o patrimônio construído de São Paulo, cumprindo a função integradora entre a arte, o público e a cidade. Busca ir além da venda direta de arte, promovendo mostras regulares, palestras e workshops, assim como o intercâmbio e parcerias com artistas e galerias no Brasil e no exterior.

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