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Fig. 2 – Pintura afresco, do século IV em estuque em uma sala, com 2,10 m de altura, 6,75 m de comprimento e 5,90 de largura. Os quadros apresentam cenas de caça, com carroças conduzidas por cavalos. Os cavalos são os principais motivos das cenas. As imagens são emolduradas e adornadas por guirlandas e faixas. O topo e as partes inferiores são decoradas com figuras geométricas coloridas. Foto de Lorenzo Plana Torres. Imagem de autoria e propriedade do “Archivo Fotográfico MNAR” e peça de propriedade do “Museo Nacional de Arte Romano de Mérida”.
Fig. 2 – Pintura afresco, do século IV em estuque em uma sala, com 2,10 m de altura, 6,75 m de comprimento e 5,90 de largura. Os quadros apresentam cenas de caça, com carroças conduzidas por cavalos. Os cavalos são os principais motivos das cenas. As imagens são emolduradas e adornadas por guirlandas e faixas. O topo e as partes inferiores são decoradas com figuras geométricas coloridas. Foto de Lorenzo Plana Torres. Imagem de autoria e propriedade do “Archivo Fotográfico MNAR” e peça de propriedade do “Museo Nacional de Arte Romano de Mérida”.

A Arte Romana por Rosângela Vig

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Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

A Arte Romana por Rosângela Vig

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e sofre, e sua!

Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.
(A um poeta, BILAC, 2007, p.68)

Esses versos de Olavo Bilac (1865 – 1918) revelam o cuidado do poeta do Parnasianismo com a estrutura. Mas talvez se possa ousar, ir além e incorporar essa descrição a tantas outras áreas por onde passeia a criatividade humana, em tantas Artes e em tantas criações, feitas a tantas mãos. O esforço de quem cria, exige-lhe fluir da imaginação ao concreto; e da criatividade, ao rigor da forma. E é presumível que tal esforço não tenha sido diferente ao artífice romano da Antiguidade, com os recursos disponíveis em sua época. Sua Arte, ao lado da grega, serviu como alicerce para a Arte do Ocidente e delineou o período denominado Antiguidade Clássica Greco-romana.

É importante destacar que o império romano foi um dos maiores da Antiguidade. Em seu auge, incluía-se grande parte ocidental da Europa e de regiões orientais. Segundo historiadores, sua fundação se deu em 753 a.C. e a fase de maior grandeza se estendeu de 27 a.C. até o século III d.C., quando as disputas pelo poder e as invasões dos bárbaros, culminaram em sua queda no Ocidente, em 476 d.C., dando início à Idade Média. No apogeu do império romano, os altos impostos proporcionaram às elites, uma vida de extravagâncias e de corrupção, ao mesmo tempo em que viviam uma política de “pão e circo”. Com a distribuição de alimentos aos mais carentes e os espetáculos nas arenas, com gladiadores, animais ferozes e teatro, os imperadores conseguiam aumentar sua popularidade e manter as classes mais humildes alienadas.

A Cultura desse povo recebeu influência principalmente de gregos e de etruscos que ocuparam regiões da Itália, no período. Na Arte, a aproximação com os modelos de Belo idealizado e a harmonia da forma, foram herdados dos padrões gregos, uma vez que as duas Culturas coexistiram, no período Greco-helenístico. Além disso, Alexandre Magno, rei da Macedônia e discípulo de Aristóteles, era um grande admirador da cultura helenística e a disseminou pelos territórios que conquistava. A ligação com a realidade vivida e a praticidade foi legado dos etruscos à Arte romana.

Fig. 1 – Estátua do século II, que representa o Deus Plutão. Esculpida em mármore branco, com 2,20 m de altura por 0,97 m de largura. A obra faz parte do conjunto de estátuas que decoravam o palco em frente ao Teatro Romano. Foto de Lorenzo Plana Torres. Imagem de autoria e propriedade do ”Archivo Fotográfico MNAR” e peça de propriedade do ”Museo Nacional de Arte Romano de Mérida”. A arte romana.

Fig. 1 – Estátua do século II, que representa o Deus Plutão. Esculpida em mármore branco, com 2,20 m de altura por 0,97 m de largura. A obra faz parte do conjunto de estátuas que decoravam o palco em frente ao Teatro Romano. Foto de Lorenzo Plana Torres. Imagem de autoria e propriedade do ”Archivo Fotográfico MNAR” e peça de propriedade do ”Museo Nacional de Arte Romano de Mérida”. A arte romana.

Não se conhece muita coisa sobre a civilização etrusca, mas seu estilo prático está presente na arquitetura romana, no uso dos arcos em construções, diferentemente dos gregos, que utilizavam colunas. Os arcos permitiam uma distribuição melhor do peso da arquitrave e portanto, menor uso de colunas. Assim, o aproveitamento do espaço interior seria melhor. Essa concepção foi fundamental para a edificação de locais com capacidade para abrigar muitas pessoas, como os templos e os anfiteatros, com arquibancadas, onde ocorriam as lutas dos gladiadores, a exemplo do Coliseu. Embora o uso dos arcos tenha sido uma das mais relevantes características da arquitetura romana, esse povo também demonstrou grande conhecimento e domínio de Engenharia Civil, em seus aquedutos, suas estradas e seus banhos públicos.

Na Escultura, a influência helenística está nítida na aproximação das imagens com os padrões de beleza humanos, no cuidado com a forma, na simetria e até mesmo na postura das estátuas. Porém, como o objetivo do artista era retratar a realidade, percebe-se um grande realismo na obra romana, como é o caso da figura 1. Entre os detalhes, percebe a quantidade de tecidos das vestes, que se desdobram e parecem pesar sobre o corpo do personagem. Por outro lado, a praticidade etrusca pode ser apreciada no caráter narrativo das obras romanas, uma vez que elas descreviam as guerras, as conquistas dos imperadores, além da Mitologia. A conquista da Dácia (Romênia), por exemplo, foi comemorada pelo imperador Trajano, com a construção de uma coluna, em Roma, conhecida como a Coluna de Trajano, de 113 d.C. e narra as etapas dessa conquista, por meio de imagens esculpidas no mármore.

No campo da pintura, embora o material existente seja escasso, merecem destaque os murais, cuja finalidade era a decoração de paredes, muitos dos quais encontrados no século XVIII, em ruinas das cidades de Pompéia e Herculano, soterradas na erupção do Vesúvio, em 79 d.C. Na evolução dessas pinturas, percebe-se um primeiro estilo, provavelmente baseado na decoração de altares e de templos gregos. O gesso era aplicado nas paredes, esculpido em linhas retas e pintado, assemelhando-se a placas de mármore. Esse modelo evoluiu para dar lugar a cenários emoldurados, com sensação de perspectiva. Essa forma também se modificou para uma outra mais detalhista em que era dado ênfase às cores fortes, como o preto e o vermelho. E esse estilo ainda se modificou para outro, com maior riqueza de detalhes e cenas com efeitos de tridimensionalidade, em que estavam presentes o cotidiano, a mitologia e a religião, à semelhança dos temas das esculturas. Os murais assemelhavam-se a grandes janelas abertas, por meio das quais surgiam paisagens, com animais e com pessoas (Figuras 2, 3 e 4). Os artistas romanos também demonstraram habilidade com a técnica do mosaico, encontrado em cidades romanas e nas ruinas de Pompeia.

Fig. 2 – Pintura afresco, do século IV em estuque em uma sala, com 2,10 m de altura, 6,75 m de comprimento e 5,90 de largura. Os quadros apresentam cenas de caça, com carroças conduzidas por cavalos. Os cavalos são os principais motivos das cenas. As imagens são emolduradas e adornadas por guirlandas e faixas. O topo e as partes inferiores são decoradas com figuras geométricas coloridas. Foto de Lorenzo Plana Torres. Imagem de autoria e propriedade do ”Archivo Fotográfico MNAR” e peça de propriedade do ”Museo Nacional de Arte Romano de Mérida”. A arte romana.

Fig. 2 – Pintura afresco, do século IV em estuque em uma sala, com 2,10 m de altura, 6,75 m de comprimento e 5,90 de largura. Os quadros apresentam cenas de caça, com carroças conduzidas por cavalos. Os cavalos são os principais motivos das cenas. As imagens são emolduradas e adornadas por guirlandas e faixas. O topo e as partes inferiores são decoradas com figuras geométricas coloridas. Foto de Lorenzo Plana Torres. Imagem de autoria e propriedade do ”Archivo Fotográfico MNAR” e peça de propriedade do ”Museo Nacional de Arte Romano de Mérida”. A arte romana.

A Mitologia, tema de muitas obras de Arte romanas, teve sua base na Grécia. Muitos deuses eram os mesmos, com nomes modificados para o Latim e outros foram criados, com base na cultura etrusca e de outros povos. A própria fundação de Roma era explicada por meio dos mitos de Rômulo e Remo.

Na Antiguidade, os romanos não produziram uma corrente filosófica própria, seu princípio ético era ainda, o herdado dos gregos. Entre os filósofos desse período, cabe destaque aqui para Plotino (205-270), que tratou a questão do Belo na estética, com uma abordagem Metafísica, isto é, além da física, relacionado a um “conhecimento das coisas divinas” (DUROZOI, ROUSSEL, 1999, p.329). Plotino modificou o Platonismo e, para ele, a questão não era mais o Belo inatingível do mundo das ideias, considerado por Platão, mas passava a ser uma “qualidade que se torna sensível, desde uma primeira impressão; a alma pronuncia-se sobre ela com inteligência; reconhece-a, acolhe-a e, de alguma maneira, ajusta-se-lhe” (PLOTINO, apud BAYER, 1993, p.75). Em essência, esse pensamento se refere a uma beleza, na Arte, que não está ligada à harmonia de formas ou à simetria da matéria, mas a uma razão mais profunda, um subjetivismo absoluto, encontrado em nós mesmos, no momento da contemplação. Esse ajuizamento é pois, desinteressado e relacionado ao que torna o homem bom e o conduz ao bem. Para o filósofo, as sensações produzidas na contemplação do Belo estão associadas a um despertar de amor, de alegria, de prazer. É ao mesmo tempo uma mensagem de equilíbrio e de paz interior.

Fig. 3 – Perspectiva Pintura afresco da Fig. 2. Foto de Lorenzo Plana Torres. Imagem de autoria e propriedade do ”Archivo Fotográfico MNAR” e peça de propriedade do ”Museo Nacional de Arte Romano de Mérida”. A arte romana.

Fig. 3 – Perspectiva Pintura afresco da Fig. 2. Foto de Lorenzo Plana Torres. Imagem de autoria e propriedade do ”Archivo Fotográfico MNAR” e peça de propriedade do ”Museo Nacional de Arte Romano de Mérida”. A arte romana.

E, para concluir, é valido deixar a mensagem de Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.), que acreditava em uma vida feliz, ligada às virtudes e à simplicidade. Para o filosofo romano,

Uma vez que a natureza nos permite comungar com toda a eternidade, por que não nos afastarmos da estreita e pequena passagem do tempo e nos entregarmos com todo nosso espírito ao que é ilimitado, eterno e dividido com os melhores? (SÊNECA, 2013, p.65)

Sêneca difundia o pensamento de que o excesso é desnecessário; bom não é o que é tem mais adereços ou mais ornamentos, mas o que é justo e correto. Aos moldes do estoicismo, sua filosofia está relacionada à beleza da alma, que é eterna, enquanto a vida é efêmera. Sua mensagem inspiradora é atual e propõe uma felicidade baseada no comedimento, na prudência e na serenidade da alma. Talvez à alta sociedade romana tenha faltado esse equilíbrio de espírito, mas do legado desse povo da Antiguidade foram deixadas primorosas obras e um rico conhecimento em suas várias áreas de atuação. Cabe ainda citar a Língua Portuguesa, entre outras, originárias do Latim e toda sua produção artística, embora muito da qual tenha se perdido em virtude de guerras, de batalhas e de invasões.

Fig. 4 – Detalhe Pintura afresco da Fig. 2. Foto de Lorenzo Plana Torres. Imagem de autoria e propriedade do ”Archivo Fotográfico MNAR” e peça de propriedade do ”Museo Nacional de Arte Romano de Mérida”. A arte romana.

Fig. 4 – Detalhe Pintura afresco da Fig. 2. Foto de Lorenzo Plana Torres. Imagem de autoria e propriedade do ”Archivo Fotográfico MNAR” e peça de propriedade do ”Museo Nacional de Arte Romano de Mérida”. A arte romana.

Museo Nacional de Arte Romano de Mérida

A cidade de Mérida, na Espanha, fundada em 25 a.C., teve ocupação romana e foi uma das mais importantes da Península Ibérica. Por seu conjunto arqueológico, foi classificada em 1993, pela UNESCO como Patrimônio Mundial. Entre as obras da arquitetura romana, podem ser citados o teatro, o anfiteatro, as pontes sobre o rio Guadiana e sobre o rio Albarregas, os aquedutos, o Templo de Diana, o Arco de Trajano e outros importantes monumentos.

Localizado em Mérida, o Museo Nacional de Arte Romano substitui o antigo Museu Arqueológico de Mérida do Século XIX. Obra do arquiteto Rafael Moneo Vallés, a sede atual foi inaugurada em setembro de 1986 e sua arquitetura está em conformidade com o estilo romano. O museu é considerado um centro de pesquisa e de difusão da cultura romana, onde ocorrem congressos, conferências, cursos, exposições e atividades nacionais e internacionais. De seu acervo faz parte um rico material da Arte romana, encontrado em escavações, como moedas, cerâmicas, mosaicos, esculturas e murais.

Fonte: UNESCO

Agradecimentos:

Nosso especial agradecimento ao Museo Nacional de Arte Romano de Mérida.

Conheça a História do Museu.

Também pode ser feita uma Visita Virtual. Confira!

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Referências:

  1. BAYER, Raymond. História da Estética. Lisboa: Editorial Estampa, 1993. Tradução de José Saramago.
  2. BILAC, Olavo. Antologia Poética. Porto Alegre: L&PM, 2007.
  3. DUROZOI, Gérard; ROUSSEL, André. Dicionário de Filosofia. 3a. Edição. Campinas: Papirus, 1999.
  4. EAGLETON, Terry. A Ideia de Cultura. São Paulo: Editora UNESP, 2005.
  5. GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.
  6. HAUSER, Arnold. História Social da Arte e da Literatura. Martins Fontes, São Paulo, 2003.
  7. SÊNECA. Sobre a Brevidade da Vida. Porto Alegre: Editora L&PM Pocket, 2013.

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As figuras:

Fig. 1 – Estátua do século II, que representa o Deus Plutão. Esculpida em mármore branco, com 2,20 m de altura por 0,97 m de largura. A obra faz parte do conjunto de estátuas que decoravam o palco em frente ao Teatro Romano. Foto de Lorenzo Plana Torres. Imagem de autoria e propriedade do “Archivo Fotográfico MNAR” e peça de propriedade do “Museo Nacional de Arte Romano de Mérida”. (http://ceres.mcu.es/pages/Viewer?accion=4&AMuseo=MNAR&Ninv=CE00641).

Fig. 2 – Pintura afresco, do século IV em estuque em uma sala, com 2,10 m de altura, 6,75 m de comprimento e 5,90 de largura. Os quadros apresentam cenas de caça, com carroças conduzidas por cavalos. Os cavalos são os principais motivos das cenas. As imagens são emolduradas e adornadas por guirlandas e faixas. O topo e as partes inferiores são decoradas com figuras geométricas coloridas. Foto de Lorenzo Plana Torres. Imagem de autoria e propriedade do “Archivo Fotográfico MNAR” e peça de propriedade do “Museo Nacional de Arte Romano de Mérida”. (http://ceres.mcu.es/pages/Viewer?accion=4&Museo=&AMuseo=MNAR&Ninv=CE37404&txt_id_imagen=2).

Fig. 3 – Perspectiva Pintura afresco da Fig. 2. Foto de Lorenzo Plana Torres. Imagem de autoria e propriedade do “Archivo Fotográfico MNAR” e peça de propriedade do “Museo Nacional de Arte Romano de Mérida”. (http://ceres.mcu.es/pages/Viewer?accion=4&Museo=&AMuseo=MNAR&Ninv=CE37404&txt_id_imagen=1).

Fig. 4 – Detalhe Pintura afresco da Fig. 2. Foto de Lorenzo Plana Torres. Imagem de autoria e propriedade do “Archivo Fotográfico MNAR” e peça de propriedade do “Museo Nacional de Arte Romano de Mérida”. (http://ceres.mcu.es/pages/Viewer?accion=4&Museo=&AMuseo=MNAR&Ninv=CE37404&txt_id_imagen=5).

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