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Dialogues sur papier par Rosangela Vig

Rosângela Vig é Artista Plástica e Professora de História da Arte.

Vig est Rosângela plasticienne et enseignante Histoire de l'art.

Pinta-me a curva destes céus… Maintenant,
Position verticale, vers le bas, le look de la Cordillère en vie:
Peindre les nuages d’un incendie dans un,
Et haute, dans les nuages, la première lumière de l’aube.

Solta, ondulando, os véus de espessa bruma,
E o vale pinta, et, pelo vale em fora,
A correnteza túrbida e sonora
Do Paraíba, em torvelins de espuma.
(BILAC, 2007, P.43)

Corre o lápis ou o pincel no despovoado espaço, em busca de formas e de cores, averiguando os mundos que habitam o criativo espírito do artista. Desprendem-se de sua consciência, esses mundos, saltam aleatórios e aflitos pelos campos da obra, que emerge e que irrompe. Ávida por florescer em significado e em cores, a obra desponta, ora por sinuosas linhas, ora por retas; seu feitio vai tomando corpo e ela se torna ela própria, com personalidade e com o entalhe que a mão do artista cunhou.

Mas os encantos da Arte precedem a obra; tem inicio no espaço da criação, onde a mão de quem faz irá repousar seu pensamento, seu mundo e suas cores. Possivelmente esse caminho foi percorrido pelos artistas da Mostra Diálogos em Papel, sob curadoria da artista plástica Rita Caruzzo. A exposição tem o apoio da empresa de papéis Moinho Brasil e o texto de abertura é de Enock Sacramento. O projeto conta com uma instalação de obras de 32 artistes, cada qual com sua linguagem própria e sua forma de trabalhar com a Arte. Todas as obras foram elaboradas em papéis da empresa, confeccionados especial e artesanalmente, a pedido de cada artista, com texturas e gramaturas diferenciadas, para que a criatividade fluísse sobre a superfície adequada a cada linguagem e técnica.

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A empresa Moinho Brasil se localiza no interior do Estado de São Paulo, na cidade de Assis e foi fundada em 1985 por Renata Telles e por Antônio Eduardo Bosquê (in memoriam) com o propósito de reciclar resíduos agrícolas obtendo as mais diversas fibras para a confecção de papéis artesanais. O trabalho sempre se fundamentou em pesquisas e na sustentabilidade unindo o universo agrícola ao urbano nas etapas de recuperação de áreas rurais; na agricultura integrada; na extração de fibra para papéis; e na confecção de papéis. A empresa desenvolveu uma metodologia para a produção de papéis em escala, área em que é pioneira no país. A parceria com a Izumi Comércio de Papéis Artesanais reforçou a proposta de sustentabilidade.

A exposição tem abertura marcada para o dia 13 Avril, de 2019, à 15 heures, na Beto Damasceno Galeria de Arte, Shopping Golden Square, Sao Bernardo do Campo, onde ficará até o dia 30 Avril.

Entre as mãos que executaram as obras estão as dos artistas Ana Bittar, Alexandre Augusto, Betto Damasceno, Daniella Guarda, Dircea Mountfort, Fatima Lourenço, Iolanda Cimino, Isa Godoy, Jorge Luis Mendez, Júlia Matos/Gustavo Conti, Juliane mai, Junco Matsuoka, Shizuru Kazuhe, Luiz Carlos Offi cina, Mlu Montesino, Marcela Amaro, Marilda étapes, Omar Jee, Patricia Amato, Paulo Sayeg, Rafael est mort, Rogério Carnaval, Rosane Viegas, Rosangela Vig, Sandra Lozano, Sérgio Biro, Silvana Ran, Soso Botture, Suzana Meyer, Titina Corso, Vera Ranzini e Vilma Kano. A abertura contará com apresentação musical e de dobradura.

Sempre presente no cotidiano, “o papel é um material tão importante na vida moderna, que a gente até esquece que ele não existiu sempre” (ROCHA, 1992, p.4). Sua história remonta o Egito Antigo, quando o papel foi inventado, a partir do papiro, uma planta da região. O material servia de suporte para a escrita e foi utilizado largamente nos países do Mediterrâneo, por milhares de anos. Em outros lugares, devido ao clima, surgia o pergaminho, feito a partir da raspagem e polimento da pele de animais. Entre os gregos e os romanos, da Antiguidade, eram comuns as tábuas de madeira cobertas com gesso ou cera. Na China antiga, a invenção do pincel de pelos levou à escrita em seda, mas como a seda era muito dispendiosa, houve a necessidade de se criar as primeiras folhas de papel, a partir de fibra vegetal de cascas de árvores. Depois de oitocentos anos mantida em segredo, a fabricação do papel pelos chineses ultrapassou fronteiras e chegou à Europa e a países árabes. O papel como conhecemos hoje passou a ser utilizado em larga escala com a invenção da imprensa.

E o papel passa por essa modernidade afobada, em seu ocupado dia a dia; é tão necessário em tantas fases da vida, dos primeiros desenhos e letrinhas da infância; aos mais importantes documentos e registros da fase adulta.

Ici, o papel é artesanal, feito especialmente para cada artista. É matéria prima para a produção de obras, em suas diversificadas técnicas. O papel deixa então de ser uma simples folha, adquire o encanto, que tem princípio no toque das mãos do artista a lhe sentir a textura, a densidade, as saliências. O papel passa então a percorrer outros caminhos, destina-se a trafegar pela mente inventiva que por ele se debruça. Eis que a Arte desponta, floresce e encanta.

Sê apenas uma presença silenciosa.
Toutes choses attendent la lumière,
Ne dis ne pas que vous attendent.
Sans savoir qu’il y a.
Toutes choses vous attendent,
Sans parler,
Sem lhe falares.
(MEIRELES, 1982, p.XXIII).

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Références:

  • BILAC, Olavo. Anthologie poétique. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2007.
  • MEIRELES, Cecilia. Chants. Sao Paulo: Moderne Editeur, 1982.
  • ROCHA, Ruth; ROTH, Otávio. O livro do Papel. Sao Paulo: Editora Melhoramentos, 1992.

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Commentaires

Pinta-me a curva destes céus... Maintenant, Position verticale, vers le bas, le look de la Cordillère en vie: Peindre les nuages d’un incendie dans un, Et haute, dans les nuages, la première lumière de l’aube. Solta, ondulando, os véus de espessa bruma, E o vale pinta, et, pelo vale em fora, A correnteza túrbida e sonora Do Paraíba, em torvelins de espuma. (BILAC, 2007, P.43) Corre o lápis ou o pincel no despovoado espaço, em busca de formas e de cores, averiguando os mundos que habitam o criativo espírito do…

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